quarta-feira, março 01, 2006

BRASIL 500 ANOS


Fiz este painel com tinta óleo no CIEP Zumbi dos Palmares no ano 2000, quando comemoravam-se os quinhentos anos do descobrimento do Brasil.

CONSCIÊNCIA CRÍTICA

Eu acredito na educação como um dos fatores transformadores da sociedade. Tudo o que queremos é uma sociedade mais justa e cidadãos conscientes não só de seus direitos, mas também de seus deveres.
Fala-se muito em formação da consciência crítica no educando. Que ótimo, todos, ou quase todos, estamos nos empenhando nisso. Mas... e depois? Será que é só isso? De que adianta formar consciência crítica se não os incentivarmos a buscar caminhos de mudança? Vão passar o resto de suas vidas apenas criticando, pois foi o que fomos capazes de formar neles: a bendita consciência crítica. Serão infelizes, revoltados e em nada contribuirão para a sociedade, pois só o que saberão fazer é criticar.
É preciso mostrar aos jovens que existem novos horizontes. Que eles precisam e muito ter senso crítico, sim, mas que não podem cair em conformismo , têm que armar-se de recursos para sair em busca de uma sociedade melhor. E não é só na escolha de governantes, mas também na escolha do próprio projeto de vida.
A nossa luta é desigual, pois muitas vezes até a mídia se faz adversária, invertendo valores éticos e morais. Muitas vezes os bandidos são transformados em heróis e muitos acham que não vale a pena ser "do bem".
A família que deveria ser nossa aliada, na maioria das vezes se omite. Ultimamente o que vemos é que as famílias têm deixado para a escola toda a responsabilidade de educar seus filhos, quando na verdade o papel principal deveria ser delas. Só que essas famílias geralmente são formadas de maneira inconsequente, com meninas-mães, que mal têm condições de cuidar de si mesmas e já se vêem com a responsabilidade de educar(?) uma criança.
Muitas crianças e jovens chegam à escola confusos e sem referenciais e crescem sem perspectivas de mudar a própria sorte, que dirá a sociedade! Tornam-se adultos revoltados e incapazes.Não têm forças e nem vontade lutar por um futuro melhor. Na melhor das hipóteses conformam-se com a vida e tentam ser felizes procurando ignorar a sua real situação.
Precisamos mostrar que existe vida além dos barracos da favela. Que o tráfico de drogas não é a única alternativa para suas vidas. Temos que lhes dar exemplos de pessoas que romperam com as dificudades e foram bem-sucedidas.Temos que incentivá-los a desenvolver seus talentos e habilidades e criar neles o desejo de lucrar com o que têm em si. É necessário que experimentemos novas formas de educá-los onde eles sejam agentes da própria aprendizagem e sintam o quanto são importantes. Precisamos apostar no resgate da auto-estima e buscar formas de tornar a escola um ambiente agradável e a aprendizagem o mais prazerosa possível. É preciso também que sejamos realistas e mostremos que as coisas não acontecem, simplesmente. Que nada é fácil, principalmente para quem vem de origem humilde, mas que não devem desistir diante dos primeiros obstáculos, pois só vencem os que sabem lutar.


Márcia C. Neves Reis